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Experiência de Santos/SP

TÍTULO: Mapeamento de território: produção de sentidos e (re)conhecimentos das situações de vulnerabilidades, riscos sociais e potencialidades.

 

MUNICÍPIO/UF:  Santos/SP
PERÍODO DE IMPLANTAÇÃO: Abril de 2017
SECRETARIA: Secretaria de Desenvolvimento Social
EQUIPE: COGESUAS- Coordenadoria de Gestão do SUAS ( Vigilância Socioassistencial)
E-MAIL: vigilancia-seas@santos.sp.gov.br
TELEFONE: (13) 03213-1480

 

OBJETIVO

Compreender a realidade de um dos territórios, caracterizado como de alta vulnerabilidade e as famílias que nele vivem, a partir da construção de mapeamento coletivo, reconhecendo as dinâmicas próprias do território e suas singularidades. E, dessa forma, aprofundar o conhecimento sobre as diferentes vulnerabilidades sociais que afetam as famílias, contribuindo para o planejamento da oferta e do trabalho realizado pelos serviços da rede socioassistencial.

 

FOCO/PÚBLICO-ALVO

A ação é voltada aos diferentes serviços da Política de Assistência Social e suas equipes que atuam no território, assim como aos gestores das Proteções Sociais, de modo a possibilitar ressignificar o olhar para o território, (re)conhecer a demanda e planejar as ações e serviços ofertados. Do mesmo modo, é direcionado às famílias, na medida em que busca fortalecer o vínculo e a identificação dessas com seu território, na perspectiva da construção do pertencimento e do acesso aos direitos.

 

CONTEXTO

O processo de mapeamento aqui apresentado decorreu da necessidade de aprofundar o conhecimento sobre um território específico do Município de Santos, caracterizado como de alta vulnerabilidade, sendo uma área de ocupação, em processo de expansão, situada onde, anteriormente, localizava-se um antigo lixão.

No primeiro momento, diante da necessidade de se aproximar do território para conhecer melhor as famílias, suas relações e modo de vida, o Departamento da Proteção Social Básica, juntamente com o CRAS realizou, em meados de 2016, algumas ações. Na ocasião, foi realizada a narrativa com uma das moradoras mais antiga e referência do local, afim de sensibilizar o olhar da equipe do CRAS e (re)conhecer a história desse território, a partir da perspectiva do morador. A partir daí, cresceu o interesse por conhecer o território sob outros olhares e narrativas, visando mapear as situações encontradas e (re)conhecer as vulnerabilidades e potencialidades. Nesse contexto, deu início ao mapeamento aqui descrito, no primeiro semestre de 2017, momento em que a Vigilância Socioassistencial passa a compor esse trabalho junto ao Departamento da Proteção Social Básica, em conjunto com as equipes do CRAS e do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculo que atuam no território.

 

METODOLOGIA

A realização do mapeamento de território se deu por meio de diferentes estratégias e envolveu variadas formas de registros, que possibilitaram coletar uma série de informações sobre o local, identificar as famílias e seus endereços, além de conhecer as dinâmicas, relações, disputas e conflitos que marcam o território e suas famílias. Esse mapeamento agregou os saberes das equipes do CRAS e do SCFV que atuam no território, da Vigilância Socioassistencial e do Departamento da Proteção Social Básica, que passaram a compor uma única equipe no desenvolvimento desse trabalho. Nesse processo de mapeamento, foram fundamentais os saberes dos moradores, a partir das suas vivências.

Uma das principais estratégias utilizadas foram às visitas dessa equipe ao território com o objetivo específico de mapear as ruas e os becos, identificar as casas, as famílias, os pontos de referências, entre outros elementos que compõem o território, e que não estão presentes nos mapas oficiais da cidade. O objetivo foi preencher esses mapas a partir da realidade identificada pela equipe no próprio território. Os moradores foram trazendo contribuições importantes, indicando referências e informações sobre o local. As idas ao território envolviam também uma observação atenta, que permitiu compreender as dinâmicas próprias do local. O recurso fotográfico, o uso de GPS e a produção de Diários de Campo foram instrumentos utilizados para o registro das observações feitas durante as idas ao território, bem como das informações e histórias trazidas pelas famílias e moradores do local.

Outra estratégia foi a narrativa de alguns moradores, que consiste no registro de depoimentos orais. Esses moradores foram identificados pela equipe como referências importantes tanto para o local, como para os serviços da Política de Assistência Social. Os moradores que contribuíram com seus depoimentos tinham diferentes relações com o local, tendo vivido em circunstâncias e momentos distintos. Essas narrativas trouxeram informações sobre as histórias de vida e percepções sobre o local, do mesmo modo que contribuíram para o começo de uma construção da memória do local a partir da visão dos moradores.

O levantamento de dados secundários, produzidos pelo IBGE, bem como aqueles de Cadastro Único também contribuíram para aprofundar o conhecimento sobre a realidade do território e suas famílias, aportando informações sobre o número de famílias e perfis socioeconômicos.

Como forma de condensar todas as informações levantadas, foram sendo confeccionados, pela equipe participante, diversos mapas (em papel, em tecido e digital), que mais do que mapear o território físico, procurou compreender as dinâmicas, relações e práticas do território vivo e vivido.

 

ENVOLVIDOS/PARTICIPANTES

A Vigilância Socioassistencial e o Departamento da Proteção Social Básica (DEPROS-B) articularam toda a ação juntamente com as equipes do CRAS e SCFV. O processo foi desenvolvido coletivamente, cabendo à Vigilância Socioassistencial e ao DEPROS-B  facilitar o processo de mapeamento, produzindo sentido para as equipes, de maneira horizontal e articulada. Em específico:

  • A Vigilância Socioassistencial contribuiu com o levantamento de dados e com o olhar sociológico para a produção de informações e análise das distintas vulnerabilidades que afetam as famílias e o território;
  • O DEPROS-B foi responsável por disparar o mapeamento, discutir e alinhar conceitos, além de ser responsável pelo registro dos depoimentos e fomentar meios de apropriação desses pelos moradores;
  • As equipes do CRAS e SCFV contribuíram com seus conhecimentos a partir de suas atuações cotidianas junto às famílias e ao território;
  • Os moradores contribuíram com suas histórias de vida e percepções sobre o território.

 

INSUMOS NECESSÁRIOS

Materiais que possibilitem diferentes tipos de registros, como máquina filmadora/fotográfica e gravador de voz;

Transporte para deslocamento da equipe ao território;

Materiais para confecção de diversos mapas (papel, tecido e digital);

Acesso aos sistemas de informações, como Cadastro Único, para mensurar e identificar as famílias cadastradas;

Computador com editor de texto e planilhas, e acesso à internet;

Espaço físico para reuniões de equipe e encontros com as famílias do território.

 

 RESULTADOS

O processo de mapeamento de território descrito se mostrou de grande importância, tanto para a atuação das equipes do CRAS e SCFV, como para a Vigilância Socioassistencial, no que tange à produção, compreensão e análise de informações territorializadas sobre as situações de vulnerabilidades e riscos sociais que incidem sobre as famílias, bem como suas práticas e modos de vida.

O mapeamento contribuiu para o processo de busca ativa das famílias, à medida que permitiu conhecer os novos moradores, bem como possibilitou uma melhor identificação dos endereços das residências nesse território, fatores importantes para o acesso a direitos.

Outro resultado foi a confecção de mapas com as informações coletadas durante o processo, com destaque para o mapa digital (a partir do uso do Google Earth). Esse desponta como uma ferramenta dinâmica, interativa e que permite agregar os mais diversos tipos de registros, como fotos, áudios, vídeos, dados e gráficos, pontos de referências, trajetos e outras informações, que possam ser alimentadas pela equipe dos serviços e os moradores.

No que se refere às vulnerabilidades e aos riscos sociais, pode-se afirmar que o mapeamento permitiu identificar as diferentes condições de vida das famílias dentro daquele território, o que, por sua vez, contribuiu para compreender os diferentes graus de vulnerabilidade social que as afetam. Do mesmo modo, foi possível conhecer os deslocamentos das famílias na cidade, tendo sido identificadas famílias que haviam deixados outros territórios do Município, diante de um quadro de agravamento de suas condições socioeconômicas e que passavam a se encontrar em condições de vida distintas das famílias mais antigas naquele território. Além disso, foi possível observar as estratégias de sobrevivência das famílias, suas práticas, e relações de troca e apoio, revelando algumas potencialidades do local.

Todo esse processo contribuiu para a sensibilização e transformação do olhar e da compreensão sobre o território, bem como da atuação das equipes de CRAS e SCFV.

Pode-se afirmar que, para a Vigilância Socioassistencial, essa experiência foi enriquecedora por permitir desenvolver novos métodos de trabalho de (re)conhecimento de território, que podem ser replicados para outros territórios do Município, contribuindo para a elaboração de diagnósticos socioterritoriais que, cada vez mais, considerem a realidade e a especificidade de cada local, bem como as diferentes vulnerabilidades sociais que afetam as diferentes famílias.

Dessa forma, essa experiência despontou como um processo e ferramenta importantes à Vigilância Socioassistencial, uma vez que lhe auxilia a cumprir com um dos seus principais objetivos, que é a identificação das situações de vulnerabilidades e riscos sociais que incidem sobre as famílias nos territórios. Assim, “Mapear um território” – no sentido de aprofundar o conhecimento sobre ele e suas famílias – contribui para compreender os distintos graus de vulnerabilidade que afetam as diferentes famílias de determinado local, fundamental para o planejamento das ações dos serviços socioassistenciais junto às famílias e territórios.

 

MODELO DE ATENÇÃO

A experiência aqui descrita desponta como uma ferrramenta importante para a atuação das equipes nos serviços socioassistenciais, bem como permite à Vigilância Socioassistencial contribuir com uma de suas principais funções, que é produzir conhecimento e compreender as situações de vulnerabilidades e riscos sociais que afetam as famílias nos territórios.

Nessa perspectiva, o processo de mapeamento descrito possibilitou ampliar o conhecimento sobre a realidade do território e suas famílias, permitindo compreender as demandas ali existentes, suas vulnerabilidades e potencialidades. Tal processo contribui para o desenho e planejamento das ações e da oferta dos serviços, programas e benefícios socioassistenciais de acordo com a realidade do território, garantindo um caráter pró-ativo, preventivo e protetivo às famílias, fundamentais para o enfrentamento das situações de vulnerabilidade e risco, bem como o acesso a direitos.

 

DESAFIOS E LIMITAÇÕES

Um dos desafios que se colocou para a equipe esteve relacionado a desafios que são inerentes ao próprio território, como, por exemplo, a dificuldade de acesso ao local e o estabelecimento de situações de conflitos, que foram reduzidos a partir da experiência e da atuação das equipes do CRAS e SCFV no território, tendo sido, portanto, fundamental o conhecimento e a relação cotidiana que elas estabelecem com o local e as famílias.

Outro desafio foi garantir o envolvimento das famílias e usuários nesse processo, que foram contornados a partir da aproximação com alguns moradores que passaram a servir de referência para o trabalho e, a partir dos quais, pretende-se envolver cada vez mais moradores.

 

PRÓXIMOS PASSOS

No que se refere aos próximos passos desse processo, pode-se indicar a necessidade de ampliar a participação das famílias, bem como de lideranças locais no mapeamento, para que possam, a partir de suas vivências, alimentá-lo, apropriar-se dele e o ressignificar continuamente.

Outro passo importante é garantir a continuidade e o fortalecimento da articulação entre a Vigilância Socioassistencial e o Departamento da Proteção Social Básica, a fim de estabelecer processos sistemáticos e contínuos de mapeamentos/ (re)conhecimento de territórios, que produzam sentido para as equipes que atuam nos serviços – que têm o conhecimento e relação cotidiana com as famílias e os territórios –, e os usuários dos serviços. Para a Vigilância Socioassistencial, aparece ainda o objetivo de envolver os demais serviços e Proteção Social Especial nesses processos.

 

 

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